Oficina debate a criação de políticas públicas pró aborto

Diário de Marília

Hoje só é possível o aborto quando há risco de morte da mãe ou gravidez por estupro

 

Oficina Temática sobre Legalização do Aborto promovida pelo Conselho Regional de Serviço Social reuniu 130 participantes ontem, no Alves Hotel. O encontro teve como objetivo propor o debate sobre o tema e discutir a necessidade de políticas públicas para legalizar o aborto.

Segundo a coordenadora do Conselho Serviço Social de Marília, Nilva Regina Galetti, a intenção não é discutir religião e nem moral, mas a autonomia da mulher para tomar decisões.

Não queremos só a legalização do aborto, mas sim a descriminalização do ato“, conta Galetti.

Atualmente no Brasil só é possível a realização do aborto quando há risco eminente de morte da mãe ou de gravidez provocada por estupro.

Nilva também levantou a questão dos abortos clandestinos em que ocorrem complicações e as mulheres recorrem à rede pública de saúde. “Mulheres passam pelo constrangimento de serem algemadas e acompanhadas por policiais enquanto aguardam atendimento”, revela.

Segundo dados do SUS são realizados 1,54 milhões de abortos clandestinos no Brasil por ano, dos quais 250 mil mulheres acabam procurando o Serviço Público de Saúde. Outro dado é que de 100 gestações, 31 terminam em aborto clandestino.

“É preciso tomar uma decisão”, diz historiadora

Para a historiadora, Ligia Maria Vianna Possas, uma das palestrantes da oficina, a discussão no Brasil hoje gira muito em função da opinião contra ou favor de diversos setores da sociedade. “Precisamos tomar uma decisão coletiva a respeito, não tomando como orientação o caráter ético e religioso”, comenta.

As outras duas palestras foram com a Psicóloga Rosangela Aparecida Talib que tratou a questão religiosa e o Defensor Público, Flávio de Almeida Pontinha que abordou a questão criminal. Ao final foi realizado debate entre os participantes formados por membros da Rede Mulher, Delegacia da Mulher, assistentes sociais, profissionais de psicologia e estudantes.

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