Os corpos das musas do passado

Martha Mendonça – Revista Época

O primeiro estranhamento que essa fotografia causou, ao ser publicada recentemente, foi a identificação da atriz Norma Bengel (quarta da esquerda para a direita) como a ministra e pré-candidata à presidência Dilma Rousseff.

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Mas uma outra coisa me chamou atenção nesta foto da passeata dos 100 mil, pela democracia e pela cultura, no fim da década de 60: os corpos das musas da hora.

Com exceção da quinta mulher, Cacilda Becker, todas as outras eram atrizes e símbolos sexuais: Leila Diniz, destruidora de tabus; Eva Wilma, a então namoradinha do Brasil, estrela de novelas e do teatro; Odete Lara, atriz e cantora; e Normal Bengell, que anos antes fizera o primeiro nu frontal do cinema.

Todas naturais. Nada de silicone. Eva Wilma devia usar sutiã 36. Leila Diniz tinha os braços flácidos perto das fortonas de hoje. Norma Bengell ostentava uma barriguinha. A mais magra, Odete Lara, passa longe dos esqueletos que desfilam nas passarelas atualmente.

Fico a imaginar uma passeata como esta hoje. Como iriam as famosas da primeira fila da manifestação. Os seios certamente chegariam primeiro. Barriguinhas, só saradas – e, possivelmente de fora. Os braços sarados certamente causariam medo na oposição.

(Mero exercício de ficção, claro. Foi-se o tempo em que celebridades participavam de um ato como este. Hoje, no máximo, reclamariam em 140 caracteres, no Twitter. E olhe lá.)

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