Meninas são abusadas por usarem "pulseira do sexo"

 Um enfeite criado na Inglaterra tem se espalhado pelo Brasil e está sendo usado para justificar a violência contra as mulheres


As chamadas “pulseiras do sexo” são enfeites coloridos, feitos de silicone e funcionariam como uma espécie de jogo: cada cor teria um significado, a pessoa que arrebentar a pulseira da dona, teria o “direito” de receber dela uma retribuição, correspondente à cor do objeto, o roxo equivaleria a “beijo de língua”, a preta, “sexo”.

O que parecia ser uma brincadeira tem se tornado uma justificativa para o abuso e violência contra mulheres.

No estado do Paraná, na cidade de Londrina, uma menina de 13 anos pode ter sido violentada por usar a pulseira. De acordo com o que divulgou um jornal local, a menina relatou à polícia ter sido violentada por quatro jovens. Outros seis casos de violência sexual envolvendo as pulseiras estão sendo investigados. Em Manaus, capital do Amazonas, duas garotas foram mortas após serem estupradas. Uma delas de 14 anos foi encontrada morta em um quarto de hotel. Com ela estavam seis pulseiras que teriam sido “arrebentadas pelo autor do crime”.

Assim como os conhecidos casos em que o modo de vestir da mulher ou seu comportamento são usados para justificar a violência sexual, as pulseiras estão sendo usadas para alegar, por um lado, que a prática sexual teria sido consentida e, por outro, que a menina que usa é moderna, livre sexualmente etc. E mais uma vez, a vítima se torna culpada.

No País de Gales

Na última semana, foi divulgado pelas autoridades educacionais do País de Gales o caso “de uma menina de seis anos que teria sido submetida a uma série de abusos físicos e sexuais por um grupo de 23 colegas de classe da mesma faixa etária” (BBC Brasil, 1/4/2010).

A mãe da menina foi alertada pela mãe de outra menina que também sofreu abusos na escola. “Todos os dias ela era despida. Ela sofria abusos físicos e sexuais, todos os dias. E todos os dias ela chorava por ajuda, mas ninguém nunca foi ajudá-la”, (idem).

Apenas quando a mãe da menina entrou com uma ação na justiça “autoridades educacionais locais estabeleceram um inquérito para investigar o caso”, mas as medidas previstas se resumem a discursos sobre a dificuldade de reprimir o crime, visto que estariam sendo praticados por outras crianças.

O caso do País de Gales é exemplo de que a situação de inferioridade das mulheres, sua falta de direitos e autonomia, é compreendida desde cedo pelos garotos, que se acham no direito de abusar e violentar as meninas. Que muitas vezes é estimulado pela sociedade, considerado legítimo, ou um mero exercício da masculinidade.

Nos dois casos, a mulher é abusada, e não só nada é feito, como existe um permissividade já que, como a violência é contra uma mulher, isto não seria um caso grave e nem passível de medidas drásticas contrárias.

Pelo fim da opressão e todo tipo de violência contra as mulheres.

 

fonte: PCO – www.pco.org.br/conoticias

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