RIO DE JANEIRO: Semana Alojamento em Luta pela Igualdade de Gênero

A Assembleia dos Estudantes do Alojamento da UFRJ realiza, de 10 a 12 de março, a “Semana Alojamento em Luta pela Igualdade de Gênero”. Durante o evento, que acontece no próprio alojamento, serão exibidos curtas e longas-metragens que ilustram a luta de mulheres contra o preconceito. Entre eles estão “A Cor Púrpura” e o brasileiro “Anjos do Sol”, de Rudi Lagemann, que abrem o projeto às 19h, nesta quarta.

No dia 11, será promovido um debate com ativistas sociais envolvidas em movimentos feministas. Na mesa, estarão presentes as representantes do movimento “Pão e Rosas” e da Assembleia de Estudantes da casa, entre outras. Na sexta-feira, uma festa encerra o evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Publicado em: 10/03/2010 no portal da UFRJ

Mulher
Um século pela igualdade

ALINE DURÃES – OLHAR VIRTUAL
dmvi@reitoria.ufrj.br

“De onde vem essa submissão na mulher?”. A questão, formulada por Simone de Beauvoir, escritora e filósofa francesa, no livro “O Segundo Sexo” (1949), instigou mulheres de todo o mundo a refletirem sobre a condição de opressão em que viviam. O livro entrou para a história como um dos mais importantes documentos pela libertação feminina e, ainda hoje, suscita discussões pela atualidade de suas reivindicações igualitárias.

Ao longo dos séculos, as mulheres sofreram uma série de preconceitos perpetrados por uma sociedade claramente patriarcal e desigual. Elas não podiam votar ou expressar sua individualidade. Cumpriam cargas exaustivas de trabalho, mas ganhavam menos que os homens. Eram violentadas, ignoradas e caladas pela dominação masculina.

Mas, em 1910, durante a 2ª Conferência de Mulheres Socialistas, ocorrida na Dinamarca, elas conquistaram o direito de ter um dia exclusivo delas. No evento, a socialista alemã Clara Zetkin sugeriu fixar uma data como o Dia da Mulher, que pudesse lembrar ao mundo a luta por direitos e as denúncias contra a exploração feminina.

A versão mais propagada é a de que o dia escolhido foi uma homenagem ao 8 de março de 1857, data em que ocorreu uma greve de operárias têxteis em Nova Iorque. Na ocasião, as funcionárias ocuparam a fábrica para reivindicarem a redução da carga horária de trabalho de 16 para 10 horas diárias. As mulheres, que recebiam cerca de um terço do salário dos homens, foram trancadas no galpão, onde se iniciou um incêndio. Acredita-se que mais de 130 funcionárias tenham morrido no incidente.

Outra versão muito difundida é a que atribui o 8 de março de 1917 como provável motivo para a homenagem. Naquele dia, operárias russas deram início a uma greve que acabou culminando na Revolução Russa. Segundo essa vertente, depois da reunião de 1910, em Copenhague, o Dia da Mulher passou a ser comemorado em diversas partes do mundo, mas em momentos diferentes. Só a partir de 1917 é que o 8 de março de fixou.

Seja como for, o 8 de março é uma data que lembra conquistas, vitórias e desafios a serem superados pelas representantes do sexo feminino. “Ele nos dá a oportunidade de refletir sobre as conquistas alcançadas e sobre os desafios ainda existentes. Diferentes instituições públicas e privadas, conselhos e grupos de mulheres realizam, no dia 8, tanto eventos que mobilizam a população, divulgam os serviços e publicizam o debate em torno dos temas da desigualdade de gênero quanto eventos de avaliação e balanço no campo das políticas públicas”, afirma Ludmila Fontenele, coordenadora do Núcleo de Saúde Reprodutiva e Trabalho Feminino da Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ.

Ludmila lembra que uma nova estruturação social e de direitos passa pelo olhar sobre a mulher e pelo respeito à especificidade de homens e mulheres. “É preciso que se conjuguem esforços nos campos dos direitos individuais e dos direitos coletivos buscando promover políticas públicas universais e voltadas para grupos específicos e articulações institucionais, em que a sociedade pode controlar sua vigência e sua qualidade”, afirma.

 

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