Organizações bloqueiam rodovia para denunciar violência contra mulher

Karol Assunção *

Adital -Chamar atenção da sociedade em relação à violência contra a mulher. Foi com esse objetivo que cerca de 400 mulheres da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MDT) bloquearam, na manhã de hoje (3), a rodovia RS 569, entre Palmeira das Missões e Novo Barreiro, no Rio Grande do Sul.

De acordo com Elisiane Jahn, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o fechamento da rodovia durou 1h30. Após a ação, as manifestantes seguiram em caminhada até a praça da Matriz de Palmeira das Missões. “No caminho, já na cidade, outras mulheres se juntaram”, afirma.

Para ela, a ação conseguiu alcançar o objetivo esperado, já que muitas pessoas ficaram sabendo da mobilização. “A sociedade se envolveu”, comenta, ressaltando que a ideia era chamar atenção da sociedade para as violências que as mulheres enfrentam, tanto as físicas quanto as provocadas pelo sistema, como a fome e o desemprego.

Não é à toa que as mulheres lutam contra a violência em Palmeira das Missões. Segundo a integrante do MMC, somente no ano passado, foram 234 inquéritos instaurados na cidade em relação à violência sexista, a maioria referente a ameaças contra mulheres.

A mobilização prossegue no município durante toda a tarde de hoje, quando as mulheres participarão de um estudo sobre a Lei Maria da Penha. O encerramento será com a entrega de um documento no Fórum da cidade pedindo o compromisso do Poder Judiciário no combate à violência contra a mulher.

A atividade marca o início da Jornada de Lutas do 8 de março, data em que, neste ano, celebra-se o centenário da declaração do Dia Internacional da Mulher. Além de Palmeiras das Missões, outras cidades gaúchas também realizaram ações no dia de hoje.

Em Porto Alegre, por exemplo, as mulheres ocuparam a Delegacia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em protesto a política governamental que privilegia o agronegócio. Este também foi o foco das ações em Esteio, região metropolitana de Porto Alegre, onde as manifestantes denunciaram, em frente à empresa Solae, o agronegócio e os transgênicos. Durante o ato, as mulheres amamentaram esqueletos para simbolizar os danos causados pelos produtos transgênicos.

A Jornada de Lutas do 8 de março segue com atividades em várias partes do país. Ampliação dos direitos conquistados, construção de políticas de financiamento para o campo e para a cidade, programas de trabalho e renda com capacitação das pessoas urbana desempregadas, revitalização da agricultura camponesa, e fiscalização do cumprimento da Lei de Rotulagem de produtos transgênicos são outras questões reivindicadas pelas mulheres neste ano.

* Jornalista da Adital

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