O Globo
SÃO PAULO – Uma em cada cinco brasileiras de até 40 anos já abortou. O dado é da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada este ano por pesquisadores da Universidade de Brasília com mulheres de 18 a 39 anos em todo o Brasil urbano. Segundo a PNA, 55% das mulheres precisaram ser internadas após o procedimento, e 48% usaram remédio para abortar.
– A PNA mostra que quem aborta são mulheres comuns. Não é a amante, a adolescente irresponsável; é a vizinha, a irmã, a amiga. Chegamos a esse número, mas sabemos que é um dado conservador, já que o aborto é crime e é um desafio chegar até a verdade – diz Debora Diniz, antropóloga e responsável pela pesquisa, que não entrevistou mulheres analfabetas e as que vivem em áreas rurais.
Das mulheres que declararam ter abortado, 15% são católicas. Evangélicas e protestantes somam 13%; 16% disseram ter outra religião, e 18% não têm religião ou não responderam. A pesquisa também mostrou que 23% das mulheres estudaram até a 4 série, 19% estavam entre a 5 e a 8 série, 12% concluíram o ensino médio, e 14% tinham curso superior.
Outra pesquisa, encomendada este ano pelo Ministério da Saúde, chegou à conclusão de que uma em cada sete mulheres de até 40 anos já abortou. Estima-se que 15% das brasileiras, ou 5,3 milhões, tenham feito um aborto. De acordo com o ministério, 81% delas já têm filhos, 64% são casadas, e 88% têm religião. A maioria, 65%, é católica. Pesquisador da Uerj, o médico Mario Monteiro apresentou estudo que mostra que mulheres negras têm três vezes mais chance de morrer em decorrência de aborto:
– As condições socioeconômicas as tornam mais vulneráveis aos riscos de complicações.
– Quem tem dinheiro acaba numa clínica clandestina e é melhor orientada, daí corre menos risco – diz Paula Viana, do grupo Curumim.